sábado 28 de novembro de 2020

210 candidatos nesta eleição receberam auxilio emergencial em Minas Gerais

Ao todo 210 postulantes a cargos públicos foram beneficiados, mesmo tendo declarado mais de R$ 1 milhão em bens. Dos mais de 25 mil candidatos beneficiados no Estado, apenas 82 devolveram o dinheiro. 

Pelo menos 210 candidatos a prefeito, vice ou vereador nos municípios de Minas Gerais receberam parcelas do Auxílio Emergencial mesmo tendo declarado um patrimônio superior a R$ 1 milhão. Muitos deles podem ter sido alvo de fraudes, mas apenas quatro haviam devolvido o dinheiro ao governo federal até este levantamento.

Os valores individuais chegaram a R$ 4.800 no acumulado entre abril e agosto. A investigação foi realizada por O TEMPO a partir dos 81,4 mil registros apresentados à Justiça Eleitoral em Minas e dos 23,6 milhões de pagamentos do programa social efetuados no Estado pela Caixa Econômica.

Na lista aparece um produtor agropecuário, Postulante a uma cadeira na Câmara de Virginópolis, no Rio Doce, ele possui R$ 5,8 milhões declarados entre fazendas e veículos e, ainda assim, recebeu quatro parcelas do Auxílio no valor de R$ 600 cada. “Uma sobrinha usou meu CPF sem eu saber e pegou esse dinheiro porque estava passando dificuldade. Se eu não fosse candidato, provavelmente nunca iria saber disso. Ela mesma reconheceu, pediu desculpas e se propôs a devolver. Meus advogados já estão resolvendo”, declarou.

Acredito ter havido falha do governo. “Não era nem para aprovarem esse pagamento. O erro já vem lá de cima. Muita gente está pegando o dinheiro sem precisar ou usando o nome de terceiros”, enfatizou.

Outros concorrentes consultados pela reportagem reagiram com surpresa, como um candidato a vereador em São Gotardo, no Triângulo. Dono de R$ 4,5 milhões em fazendas e imóveis, ele aparece na relação de beneficiários do Auxílio com R$ 1.200 divididos em duas parcelas. O comerciante, porém, garante não ter solicitado e nem recebido esse dinheiro. “Tem alguma coisa errada. Eu mesmo não vi, nem pus a mão em nada. Será que cai automático? Tem como saber em que conta caiu o dinheiro?”, indagou o candidato, prometendo averiguar a situação. “Vou procurar saber. Não pode acontecer isso, não. Graças a Deus, não preciso”, concluiu.

Possuir um grande patrimônio, no entanto, não significa contar com uma renda proveniente dele. Há também aqueles que reconhecem ter solicitado o benefício para ajudar nas contas durante a pandemia, como uma candidata a vereadora em Viçosa, na Zona da Mata. Ela explica que se divorciou há seis anos, mas o processo de separação ainda não foi concluído e, por isso, os bens do ex-marido continuam constando no nome dela. “Recomecei minha vida do zero. Trabalho e pago aluguel. Declarei tudo certinho, como manda a Justiça, porque prezo pela transparência, mas não usufruo de nada, nada”, diz a comerciante.

Completam o “Top 5” uma candidata dona de um patrimônio de R$ 5,4 milhões, e outro candidato que declarou R$ 4,5 milhões em bens. Postulantes em Mar de Espanha (Zona da Mata) e Riachinho (Norte de Minas), respectivamente, eles não responderam os contatos da reportagem até esta publicação.

Ao todo, 25.541 candidatos mineiros receberam ao menos uma parcela do Auxílio Emergencial entre abril e agosto. Metade deles, contudo, declarou um patrimônio inferior a R$ 80 mil. Todas essas informações são públicas e estão disponíveis nos sistemas de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Controladoria Geral da União (CGU).

Devoluções
De todos os mais de 25 mil candidatos beneficiados pelo Auxílio Emergencial em Minas, apenas 82 devolveram o dinheiro até esta publicação.

Somadas, as 82 devoluções representam R$ 89,4 mil em recursos recuperados pelo governo. Isso significa 0,14% do total de aproximadamente R$ 63,1 milhões pagos em benefícios aos candidatos mineiros.

Fonte – Cristiano Martins/O TEMPO

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