sexta-feira 14 de agosto de 2020

Itabira, terra de ninguém (01) – Nas mãos das traças o maior bairro da cidade que aguarda respostas do “prefeito 12 anos”


Não é momento para ideias pessimistas. Definitivamente não. A amostragem geral serve para abrir os olhos de toda Itabira. Que seja possível ao itabirano saber em que terreno está pisando e que aprenda a agir e reagir, por si só.

Teremos um panorama geral da cidade, suas expectativas quanto ao futuro. Por enquanto, vamos mostrar os bairros como vão caminhando no sofrimento do dia a dia, como seguem o seu destino e o que lhes espera no futuro.

Começamos pelo famoso Jardim da Gabiroba, reconhecidamente o maior bairro de Itabira, medição válida pelo número de eleitores, mais de 20 mil cidadãos. Eles decidem em 15 de novembro próximo os destinos da cidade. São, com certeza, o fiel da balança.

Nos rumos do Parque de Exposições e da saída para a Estrada do Forninho, rodovia para João Monlevade, nasceu uma construção de pompa, um grande hipermercado regional, que teve apoio irrestrito da Prefeitura para se erguer, o MartMinas. Boa e quase solitária iniciativa.

Recentemente, com inauguração tipicamente de campanha eleitoral, considerando, principalmente, que ainda é obra inacabada, a população itabirana ouviu vivas, fogos e um grande comício, com buscas de apoio político-eleitoral. O motivo: o atual prefeito, pré-candidato à reeleição, Ronaldo Magalhães, fez festa de arromba com seus “amigos”, incluindo o pessoal do famoso Grupão.

PREFEITO 12 ANOS
No ano 2000, Ronaldo Magalhães se cunhou no marketing como “Prefeito Quatro Anos”, numa alusão ao seu propósito de resolver todos os problemas em quatro anos. E prometia não se candidatar à reeleição. Venceu, o povo caiu no “conto do prefeito” e vamos saber quem tem memória curta.
Será ele, o pré-candidato, carregando um barril de óleo de peroba para a sua cara de madeira ou será o povo que, no entender dos políticos maliciosos, tem memória curta?

Se, realmente, Ronaldo Magalhães estiver imbuído de honestidade eleitoral, ele ordenará a seu marketing que prepare, desde já o seu slogan: “Ronaldo Magalhães, prefeito 12 anos”. Quem não se lembra daquele jingle que começa assim: “Itabira precisa de um prefeito, que governe quatro anos…”? Agora é só mudar para: “Itabira não tem vergonha na cara e quer um prefeito 12 anos…

GABIROBA, ACORDA GIGANTE ITABIRANO!
Estão aí as obras do “Prefeito 12 Anos” para serem apreciadas e com um desconto especial: todas construídas com financiamento do Governo Federal. Quer dizer que Ronaldo faz, Ronaldo fez, mas deixa dívidas para as administrações futuras que nem certeza têm que vão existir. Que se virem os próximos governos municipais.

No Bairro Jardim da Gabiroba já existiu um monumental empreendimento, que garantia grande parte da economia itabirana, a Fábrica de Tecidos da Gabiroba. Hoje existem moradores que dependem, definitivamente todos, da mineradora Vale, direta ou indiretamente, e que, como os demais vizinhos, de outros bairros, e de todo o município, estão condenados às consequências da despedida da grande empresa. A Vale anunciou aos quatro cantos do mundo — e avisou à Bolsa de Valores de Nova York — que deixa o Sistema Sul no ano de 2028. Já se passaram dois anos, nada foi feito em Itabira, senão conversas de blá-blá-blá, em banho-maria, tipo protocolos de intenções, coisas eleitorais assim, cuja verdadeira intenção está clara: enganar mais uma vez o povo itabirano.

O que tem o Bairro Jardim da Gabiroba para garantir votos ao “Prefeito 12 Anos” ? A resposta é “não tem” ou “nada tem”, ou “tem tudo negativo. A começar que não tem água, é preciso que cada casa mantenha depósitos acima de dez mil litros para a seca não dominar. Alguém pode dizer que falta água em toda Itabira. Sim, é verdade, Itabira vive como papagaio. A cidade precisa de grandes empreendimentos industriais e comerciais, mas não tem água para servir de infraestrutura.

No lugar da água, podem todos enumerar: Itabira tem 15 barragens de rejeito prontas para explodir, como prevê a própria empresa Vale, que ainda encheu a cidade de placas aterrorizantes como “Rota de Fuga”, tentando imitar os filmes de Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Bem que a Vale prevê que todos os itabiranos sejam fortes como esses artistas famosos e todos tenham pique para correr muito mesmo na calada da madrugada.

Numa cidade sem água a sua administração pode ter a cara de pau de ir ao povo pedir votos? Acredita-se que não, alguém ainda não alertou o prefeito Ronaldo Magalhães de que ele pode receber tomates e batatas podres nas suas andanças pelas ruas gabirobenses.

A réplica pode vir assim, proferida por um morador local: “Não corremos o risco de ver o prefeito fazer caminhadas pelas nossas ruas porque, evidentemente, não temos, também, ruas. A prova é que, uma viatura do Samu foi chamada para atender a uma senhora, idosa, que passava mal. A emergência chegou, mas houve um contratempo: não chegou à porta da casa da senhora que passava mal. Foi necessário um grande esforço dos atendentes e de vizinhos para que essa senhora chegasse ao veículo que aguardava a cerca de 300 metros.

Os moradores aproveitaram para chamar a atenção da Prefeitura: depois de muitas reclamações, mandaram motoniveladoras, que fizeram um péssimo serviço, provocando poeira e ainda deixaram o recado: “O patrolamento dessas ruas — como BW-10 e BW-13 — não está previsto em nossas próximas atividades. Então, que procurem os seus vereadores e façam seus pedidos”.

“A resposta vai ser dada nas urnas” – esta a tréplica dos moradores que ainda acrescentaram: “Não temos vereadores e achamos que Itabira também não tem”.

Quando se sabe que um bairro esteja sem água, que suas ruas são sejam transitáveis, também é possível constatar que não há redes de esgoto nem pluviais. Ou, simplesmente, o seguinte: o Bairro Jardim da Gabiroba nada tem, o que aqui foi feito não beneficia os a maioria moradores locais. Há buracos, matos nos passeios, rampas intransponíveis que circundam um povo abandonado. Falar mais o quê?

Com a palavra o eleitor que escolherá o seu prefeito em 15 de novembro próximo.

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