quarta-feira 30 de setembro de 2020

Cada viúva de ex-prefeito em Itabira recebe R$ 5.225,00 por mês, o tempo todo. Pobre receberá 200 reais, em tempo de pandemia

Quando soube que a prefeitura de Itabira estudava ajuda aos pobres, pensei: pelo menos desta vez, durante pandemia, o prefeito Ronaldo Magalhães fará uma ação significativa em favor dos itabiranos mais desprotegidos. Pensar pensei, mas eis que ele lhes atira 200 reais. Uma migalhinha, um farelinho de pão, que é apenas melhor que nada.

Por que pensei que pelo menos uma vez na vida Ronaldo Magalhães faria algo determinante em favor dos pobres de Itabira?

Primeiro, porque ele vem chicoteando os pobres há três anos. Quer exemplos? O TREM os dá de baciada. Exterminou o Restaurante Popular, obra iniciada no governo Damon de Sena, mas que Ronaldo Magalhães destruiu sem servir sequer um prato de boia.

Outro exemplo de desprezo aos desvalidos: ao demitir 160 vigilantes da empresa Itaurb, Ronaldo Magalhães chamou-os, como mostra um vídeo publicado na internet, de “porcaria”. Sim, se referiu a pessoas, trabalhadores simples, como “porcaria”. Antológica ignomínia.

Mais exemplo? O prefeito não pôs para funcionar a Unidade de Pronto-Atendimento do bairro Fênix, que, se bem equipada, tão bons serviços prestaria a uma região da cidade onde moram multidões de pobres.

É possível enumerar centenas de momentos em que Ronaldo Magalhães tomou atitudes que significam desapreço aos pobres de Itabira. Quer mais exemplos?

Ronaldo Magalhães eliminou a casa de apoio aos pacientes com câncer, entre outras doenças, que iam se tratar em Belo Horizonte. Diminuiu repasses de verbas a entidades de acolhimento a crianças carentes, como o Combem. Não concluiu as creches que atenderiam pobres do populoso bairro Gabiroba e Boa Esperança.

E mais e mais e mais. Se O TREM escrever todas as vezes em que Ronaldo Magalhães prejudicou a parte mais carente da população, este texto fica com cinco metros.

Só mais um exemplo, são tantos. Ao deixar as praças da cidade em cacos, o governo municipal prejudica toda a população, mas principalmente os pobres. Praça pública é bom para todos, mas para os pobres é fundamental. Significa área de respiro, é uma extensão de seus barracos, alguns dos quais abrigam seis, sete pessoas em quatro cômodos. Para um pobre, frequentar praças significa saúde psicológica, mas como fazê-lo se estão imundas e escangalhadas.

CALAMIDADE MORAL

Também pensei que Ronaldo Magalhães desta vez faria uma grande ação ao povo pobre porque está chegando a eleição e ele já confirmou que tentará se reeleger.

Como o prefeito de Itabira tem feito um monte de lambanças, pensei ainda: nem que seja por oportunismo, ele fará algo realmente decisivo para os pobres.

Exemplos de lambanças? Pois não, é pra já: em plena pandemia, elevou o salário dele, Ronaldo Magalhães, da vice-prefeita, dos secretários e dos cerca de 300 cargos comissionados — uma calamidade moral.

Ronaldo Magalhães está gastando 1 milhão e seiscentos mil reais para comprar refrigerantes, sucos em caixas, achocolatados, roscas, rosquinhas, bolos, presuntos, queijos, pão de queijo, requeijão, torrada, polpa de frutas e outras guloseimas para a sala de trabalho dele na prefeitura e outras repartições públicas.

Quer mais exemplos de lambança do prefeito? Tem deixado faltar água em numerosos bairros, privando multidões do básico e profilático ato de lavar as mãos para se protegerem do coronavírus. Deixa faltar água — repare — num ano de chuvas intensas, o que caracteriza incompetência braba.

Em nenhum momento, Ronaldo Magalhães piou sobre cortar no salário dele, da vice, secretários e comissionados. Em 2015, numa crise pálida em relação à atual, o então prefeito Damon de Sena diminuiu o salário dele, do vice, secretários e comissionados em 25%. Exemplo em casa, portanto, não falta ao atual prefeito, mas ele teima em sequer discutir o assunto.

Depois de passar três anos chutando o povo de Itabira, Ronaldo Magalhães atira 200 reais aos pobres. Jair Bolsonaro, que é Jair Bolsonaro, socorreu os necessitados do país com 600 reais. O vereador André Viana apresentou emenda elevando o recurso em Itabira para 400 reais, mas foi derrubada na câmara.

VIDA LINDA E JUSTA, MUITO JUSTA

Agora veja o leitor como a vida é linda e justa em Itabira. Com pandemia ou sem pandemia, cada viúva de prefeito recebe cinco salários mínimos todo mês apenas por isto: ser viúva de prefeito. Abocanha R$ 5.225,00, cinco mil e duzentos e vinte e cinco reais, do dinheiro do povo — mordomia garantida por lei criada em 1973. Numa pandemia, cada família pobre receberá 200 reais.

“É só 200 reais e está pegando o boi”, talvez diga Ronaldo Magalhães. Talvez até fale, mas agora tomando cuidado com gravadores: “Essas porcarias desses pobres”.

“Não cabe comparar, pois são só cinco viúvas de prefeito em Itabira e pobre no município é multidão”, argumentará algum bajulador de político. Ahá, “pobre em Itabira é multidão”, é? Eureca!!! Enfim, descobriu-se que há pobres em Itabira.

Descobriu-se que há pobres “na cidade da empresa Vale”, que exporta mais que estados brasileiros. Descobriu-se que há pobres num dos municípios mais ricos do país, per capita. Descobriu-se que aqueles bordões otimistas de governo não passam de mentira.

Descobriu-se, enfim, que os governos recentes têm falhado em transformar a dinheirama pública — seis bilhões nas mãos dos três prefeitos mais recentes — em bem-estar para toda a população.

Fonte – O TREM ITABIRANO.

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