domingo 15 de dezembro de 2019

Após anúncio de racionamento de água em presídios mineiros, famílias temem rebelião e alertam sobre vazamento

Parentes e amigos de presidiários de Minas temem que haja revolta depois do anúncio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de que a água ficará à disposição dos detentos somente 6 horas por dia. A medida começou a valer no último domingo (01/12).

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De acordo com a secretaria, o gasto médio com água nos presídios é de R$ 7,5 milhões e o racionamento é necessário para evitar o desperdício do dinheiro público. Segundo o órgão, cada preso gasta, em média, 88% do líquido a mais do que um cidadão que está em liberdade. A medida visa economizar 10% desse valor. 

Segundo a presidente da Associação de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade, Maria Tereza dos Santos, a medida é um absurdo e o racionamento já existe há mais tempo. “Eles só nunca tiveram a coragem de assumir. O que o governador precisa fazer é visitar as unidades prisionais, passar um tempo lá dentro, conversar tanto com os presidiários quanto com as pessoas que trabalham ali dentro. Ele não conhece a realidade do sistema prisional.”

Conforme Maria Tereza, o alto gasto com a água nos presídios não vem dos detentos, mas é consequência da falta de estrutura das unidades prisionais. “A grande maioria tem um alto vazamento de água. A água vaza na caixa, nos canos, no tubo. O que ele [governador Romeu Zema]precisa fazer não é racionar água, é acionar o Departamento de Obras Públicas e mandar consertar aquilo que tá vazando. Fica muito fácil desperdiçar água, jogar água fora e por na conta dos presos.”

Ela ainda criticou o governador de Minas e o diretor do sistema prisional de Minas. “O governador Zema, que a sociedade votou nele como novo e a gente tá vendo que não tem nada, colocou na pasta do sistema prisional o agente de carreira Rodrigo Machado, que era o diretor geral da Penitenciária Dutra Ladeira, que tem inúmeras denúncias de tortura. A gente sabe que daquela cabeça ali não vai brotar nada que presta. E quando eu digo não vai brotar nada que presta não é para os presos, é para o sistema prisional.”

Maria Tereza disse que orientou as famílias a pedir aos presos que não tomem medidas e que aguardem o acionamento de órgãos públicos que podem tomar providências. “A gente consegue que eles fiquem quietos enquanto eles pensam a gente vai dar conta de solucionar isso.  À medida que eles veem que a gente não vai dar conta, eles não pensam duas vezes. Tacam fogo.”

Posicionamento da Sejusp

De acordo com a Sejusp, o estado atualmente tem 72 mil presos, distribuídos em 197 unidades prisionais. Em nota, a secretaria afirmou que a restrição do uso da água não vai prejudicar a ressocialização de detentos. A pasta ressaltou ainda que a medida será implantada de forma gradual e estudada caso a caso, como a de grávidas presas em unidades de regiões mais quentes do estado ou com superlotação acima da média estadual.

Em relação às acusações contra o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas, Rodrigo Machado, a Secretaria diz que todas as denúncias estão sendo apuradas com rigor.

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