quinta-feira 14 de novembro de 2019

Na foz do Rio Doce, pescadores temem que óleo agrave tragédia

Há duas semanas, o avanço do vazamento de óleo de origem desconhecida por praias do nordeste brasileiro levou o governo do Espírito Santo a criar um comitê de emergência para monitorar a costa do estado. A Marinha confirmou que pequenas manchas foram observadas no litoral norte capixaba. A situação tem gerado apreensão em pescadores de Linhares (ES), na foz do Rio Doce. Impedidos de desenvolver suas atividades devido ao rompimento da barragem da mineradora Samarco, ocorrido há quatro anos, eles temem que um novo impacto ambiental traga ainda mais dificuldades para a recuperação da região.

Antes de chegar ao Espírito Santo, o óleo derramado atingiu nove estados do nordeste brasileiro e mais de 4 mil toneladas já foram recolhidas. Sua origem ainda está sendo investigada e cinco navios gregos estão sob suspeita.

O comitê de emergência criado pelo governo do Espírito Santo é coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e conta ainda com a participação de representantes da Marinha, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A Fundação Renova afirma que poderá ajudar se for necessário. A entidade foi criada para reparar todos os danos causados pelo rompimento da barragem, conforme acordo firmado em março de 2016 entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Brígida Maioli, responsável pelo programa da Fundação Renova para monitoramento da qualidade da água do Rio Doce, manifesta preocupação e avalia que há risco de se potencializar os danos a uma região que já foi impactada.

“Eu não sei dizer se vai chegar. Sabemos que o governo do estado está se mobilizando e tomando providências para caso isso ocorra. A competência da Fundação Renova é para atuar no caso do rompimento da barragem, mas certamente vamos ajudar se for necessário. Os resultados dos nossos monitoramentos serão úteis”, diz ela. 

Na região, a pesca está proibida pela Justiça Federal. A decisão vale para toda a área costeira da foz do Rio Doce, até 20 metros de profundidade entre os distritos de Barra do Riacho, na cidade de Aracruz, e de Degredo, em Linhares. O pescador Ademar Paulino Sampaio afirma que há bastante peixe na região.

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